Após ter sua excomunhão
confirmada pela Arquidiocese de Brasília, o padre Françoá Rodrigues Figueiredo
Costa usou as redes sociais para dizer que continuará celebrando missas na
Capela Santo Atanásio, em Ceilândia, no Distrito Federal. Ele publicou um vídeo
intitulado 'Resposta aos Inimigos' no qual considera 'inválidas' e 'nulas' as
acusações de cisma e a excomunhão determinadas pela Igreja.
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O religioso e a capela foram
excomungados pelo Vaticano por se vincularem à Fraternidade Sacerdotal São Pio
X, um grupo católico ultraconservador que desafiou o papa Leão XIV, rompendo
com a autoridade da Igreja Católica. O Vaticano determinou que padres e fiéis
que aderirem formalmente à fraternidade passam a ser considerados em situação
de cisma e, consequentemente, excomungados.
"Continuaremos todos os
dias a rezar a Santa Missa, a mencionar o nome do Santo Padre no cânon da
missa, a rezar, aqui no caso de Brasília, pelo senhor Arcebispo de Brasília,
consciente de que somos católicos. Não somos nós que temos que justificar nossa
catolicidade. São os senhores que têm que justificar a catolicidade dos
senhores. Não somos nós que estamos afundados nesse modernismo. Não somos nós
que estamos aceitando essas coisas estranhas que infelizmente os senhores terão
que justificar", diz o padre no vídeo.
Ele faz referência à
comunhão dada nas mãos dos fiéis e ao acolhimento à união entre pessoas do
mesmo sexo como modernismos da Igreja que seriam inaceitáveis. Françoá já havia
publicado um vídeo anterior intitulado "o modernismo destrói a fé católica".
Em nota pastoral, a
Arquidiocese de Brasília diz que, em razão das ordenações episcopais de 1º de
julho a quatro presbíteros da Fraternidade Sacerdotal Pio X sem a autorização
do papa, o Vaticano publicou em 2 de julho um decreto de cisma e excomunhão contra
os envolvidos.
Em vista disso, segundo a
nota, a situação do padre Françoá Costa, que desde 5 de abril de 2025
considera-se aderente à Fraternidade, tornou-se de cisma e excomunhão a partir
do decreto papal. A medida é extensiva a de todos os ministros sagrados da Fraternidade.
"Os atos ministeriais do sacerdote consideram-se, a partir da excomunhão,
ilícitos", diz a nota, lembrando que os sacramentos da confissão e do
matrimônio ministrados por ele são nulos.
A Arquidiocese de Brasília
acrescenta que os fiéis que frequentam regularmente ou exclusivamente as
atividades vinculadas à Fraternidade, são considerados, igualmente, cismáticos
e excomungados. "Portanto, as celebrações, atividades pastorais, iniciativas
de formação ou demais atos promovidos na denominada 'Capela Santo Anastácio'
são considerados irregulares por não se exercerem em comunhão com o Romano
Pontífice, nem com o Arcebispo Metropolitano de Brasília, e devem ser
terminantemente evitadas pelos fiéis, em razão do grave risco de gradual
aderência ao mesmo cisma e excomunhão."
A nota é assinada pelo
cardeal Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília.
Início da crise
A nova crise começou após a
fraternidade ordenar quatro bispos sem autorização da Santa Sé, em uma
cerimônia realizada em Écône, na Suíça, em 1º de julho.
O Vaticano considerou a
cerimônia um "ato cismático" e declarou a excomunhão dos bispos
envolvidos.
A Santa Sé também afirmou
que padres e fiéis leigos que aderirem formalmente ao grupo estão em situação
de cisma e excomungados, o que atinge o padre brasileiro.
A Fraternidade São Pio X
rejeita a decisão e afirma que as ordenações foram necessárias para garantir a
continuidade de suas atividades religiosas.
O conflito entre a
fraternidade e o Vaticano atravessa décadas. Em 1988, o fundador do grupo,
Marcel Lefebvre, também ordenou quatro bispos sem autorização do então papa
João Paulo II.
Na época, os envolvidos
foram excomungados. A punição foi revogada em 2009 pelo papa Bento XVI, em uma
tentativa de reaproximação, mas a situação canônica da fraternidade permaneceu
irregular.

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